
|
Qual
a sua marca como líder?
Por Alessandra Assad
|
No Brasil, a tradição da economia da inflação
não desenvolveu nos indivíduos o hábito de
pensar no futuro. E quem não pensa no futuro não
pode nortear o presente, independente de como ele esteja hoje.
Operações não bastam, mesmo que sejam bem-sucedidas. É preciso
muito mais do que isso. É preciso mudar.
Gandhi dizia que nós precisamos ser a mudança que
queremos ver no mundo. Para ele, antes de mudar outra pessoa, é preciso
mudar o que está dentro de você. Quem endossa o grande
líder é Fred Kofman, criador do conceito da “Alta
Performance Baseada em Valores”, voltado para a maximização
da performance humana nas empresas, que sintetizou suas idéias
no Fórum Mundial de Alta Performance de 2005, dizendo que
para que as organizações mudem, é preciso
que as pessoas mudem. “A transformação é um
processo que começa, mas nunca termina”, declarou
na ocasião, explicando que o grande problema hoje das organizações
está no fato de as pessoas quererem transformar-se de medíocres
em extraordinárias, pegando o ônibus sem saber para
onde vão. E sugere: vamos juntar pessoas excepcionais e
sentar juntos para fazer uma empresa excepcional?
Claus Möller, considerado um dos maiores especialistas mundiais
em administração e treinamento, eleito pelo “UK
Department of Trade and Industry”, um dos “8 Quality
Gurus”, do mundo, sendo o único europeu nesse grupo,
apresentou aqui no Brasil no ano passado uma pesquisa realizada
na Europa que traz dados surpreendentes sobre as pessoas nas organizações:
4 em 10 funcionários europeus pensam coisas ruins e falam
mal da empresa onde trabalham; 8 em 10 não levam o coração
para o trabalho; 2 em 10 dão o melhor de si e apenas 20%
da população ativa é automotivada. Ele afirma
que as pessoas não ouvem as palavras dos chefes, elas ouvem
os pés do chefe, onde ele está caminhando. E seguem
o mesmo caminho. Möller define que o caminho está no
desenvolvimento da lealdade, que é muito diferente de obediência.
Estabilidade - Talvez o segredo para a mudança com sucesso
esteja na estabilidade. Estabilidade só acontece quando
se mostra, se explica para as pessoas o porquê das mudanças.
Quando elas se sentem envolvidas no senso de urgência das
coisas. É preciso deixá-las se comprometerem, delegar
tarefas, compartilhar decisões e analisar junto os resultados.
E quem consegue isso nas corporações modernas?
Não basta ter a visão da mudança. É preciso
despertar esta visão nas pessoas e ainda mostrar para
elas que onde quer que elas estejam, haverá claramente
um rumo, uma luz no final do túnel e quais os impactos
que estas mudanças gerarão positivamente em suas
vidas, mesmo que isto aconteça a médio e longo
prazos. É preciso inspirar a mudança.... e isso
só se consegue conhecendo profundamente as necessidades
inspiradoras de cada indivíduo, um a um, e costurando-as
de uma forma que consiga se alinhar para o bem comum...e só quem
ama o que faz consegue chegar neste nível. O amor fraterno é a única
força capaz de gerar a verdadeira coesão entre
as pessoas.
Compromisso - Este é o diferencial que vai gerar o compromisso.
E é o compromisso que vai determinar o tempo de vida útil
de uma pessoa dentro de uma organização. Por sua
vez, o tempo de vida útil de uma pessoa dentro de uma
organização interfere diretamente no sucesso ou
na ruptura de um processo de mudanças. O compromisso com
a transformação é o que gera a transmutação
das pessoas e as mudanças nas corporações. É preciso
entender a diferença ente o contagioso e o contagiante.
Sabemos que toda mudança requer disciplina. Sabemos também
que um processo de mudança efetivamente comprometido nunca
termina, ele apenas vai mudando as datas e as etapas a medida
que as coisas vão acontecendo e evoluindo. Se só as
lideranças são capazes de gerar mudanças
significativas, é preciso preparar líderes, descobrindo
pessoas e encorajando-as a mostrar suas aptidões e desenvolver
seus potenciais, para que sejam detectados os olhos de tigre
dos grandes aprendizes de líderes do futuro.
|