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Pessoas gentis são flexíveis, inteligentes e poderosas!
Por Rosana Braga


Quanto mais endurecido e inflexível for um objeto, mais facilmente ele vai se quebrar diante de fortes impactos. Esta teoria – fisicamente constatável – não vale apenas para os objetos, mas sobretudo, e cada dia mais, para o comportamento humano.

Num mundo onde os produtos são perecíveis e os desejos são fugazes, a flexibilidade destaca-se como meio de sobrevivência. É a chave para a resiliência e também para o sucesso, tanto na área pessoal quanto na profissional.

É fato: não dá para crescer na rigidez. O crescimento, por si só, é maleável, moldável e adaptável às novas medidas e às novas formas. Sendo assim, gentil – no sentido mais amplo e profundo da questão – é quem aprende a metamorfosear.

Basta observar! No universo corporativo, a preferência é cada vez maior por profissionais capazes não de aceitar as diferenças inerentes a uma equipe ou um departamento, mas – acima de tudo – de celebrar essas diferenças. Ou seja, de transformá-las em molas propulsoras para a criatividade e para os resultados diferenciados.

Assim como já não basta evitar os conflitos. É preciso enxergar neles uma oportunidade de promover mudanças significativas e de se tornar melhor justamente por causa dessas adversidades.

Entretanto, quanto mais estudo e pesquiso sobre a Inteligência Afetiva, mais constato como a falta de flexibilidade tem aumentado, o que me levou a debruçar justamente sobre a conseqüência desastrosa desta situação: a profunda falta de gentileza nas relações e na comunicação interpessoal.

As evidências estão aí! Basta ouvir o noticiário ou observar atentamente a dinâmica de nossas próprias relações, dentro e fora de casa. Porém, temos vivido no “piloto automático” e iludidos com a idéia de que a mudança precisa começar no outro, seja no Congresso Nacional ou sala da Diretoria da empresa onde trabalhamos.

Temos ignorado solenemente o fato de que se já fôssemos suficientemente gentis – como muitas vezes nos julgamos – já teríamos acordado para a maior de todas as verdades: pessoas gentis são flexíveis e, portanto, inteligentes e poderosas!

Para se ter uma idéia da abrangência desse poder, já existe um Movimento Mundial pela melhoria das relações interpessoais e da qualidade de vida através da gentileza. Trata-se do World Kindness Movement – cujo representante oficial do Brasil é a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

O intuito do movimento é declarar que pessoas gentis são mais valorizadas no mercado profissional, já que a qualidade das relações, a integração entre os funcionários e as atitudes de gentileza são fatores que influenciam nos resultados finais e no aumento da produtividade da empresa.

A gentileza, e por conseqüência a flexibilidade e a tolerância, têm ainda influência direta sobre nossa saúde mental, emocional e física. A falta desses atributos na vida diária tem causado prejuízos incalculáveis a todos. A Organização Mundial da Saúde estima, por exemplo, que em 2020 a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares.

Qual seria a razão para tamanha insatisfação e tristeza? Estou certa de que, em última instância, não se trata de salário ou posição hierárquica. Trata-se da falta de reconhecimento pelo humano que há em cada um; da falta de qualidade na troca entre as pessoas; do distanciamento, da falta de intimidade e de confiança, da falta de afeto e disponibilidade, da inflexibilidade para com as próprias frustrações. Trata-se da falta de gentileza! É disso que se trata, pode apostar!

Num ambiente estressado, onde as pessoas estão constantemente em conflito, a comunicação fica visivelmente comprometida e, consequentemente, a criatividade diminui drasticamente, em todos os sentidos.

Não estou falando apenas de uma redação ou de uma agência de publicidade. Estou falando até de uma fábrica ou das relações domésticas e sociais. Todos nós produzimos muito mais e somos muito mais criativos quando estamos emocionalmente tranqüilos e nosso vínculo com o trabalho e as pessoas é afetuoso e baseado no desejo de conciliar.

São essas as condições necessárias para que a criatividade possa crescer, para que os resultados sejam cada vez mais satisfatórios. Portanto, embora as habilidades técnicas sejam imprescindíveis para as empresas, elas sabem que podem treinar um profissional para que se torne habilitado tecnicamente, assim como sabe que para ser agradável, simpático, flexível e gentil, é preciso que haja uma decisão pessoal.

As empresas podem sim motivar e incentivar seus colaboradores para a mudança de comportamento, mas ser gentil continua sendo uma decisão do indivíduo. Tem a ver com as crenças e os valores que ele alimenta diariamente. Ou seja, a gentileza é um exercício diário!

Por fim, não há nada mais verdadeiro do que o mote do Profeta Gentileza (a história dele está no capítulo 6 do livro): ‘Gentileza gera Gentileza’. Do mesmo modo, podemos apostar: falta de gentileza, gera falta de gentileza. A escolha sobre o que gerar é de cada um.

7 Condutas Gentis e Tolerantes no Ambiente de Trabalho

1. Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.
2. Evite julgamentos e ações precipitadas. Quando estiver nervoso, deixe para conversar mais tarde.
3. Peça desculpas. Isso pode evitar conflitos maiores e salvar relacionamentos.
4. Valorize o que a situação e o outro têm de bom. Perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.
5. Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida.
6. Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas pode depender da compreensão da raiz do problema.
7. Faça justiça. Esforce-se para compreender o outro e não para ganhar, como se eventuais discussões fossem jogos ou guerras.




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