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O
valor do risco no processo de mudança
Por Alessandra Assad
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Há muito que Alvin Toffler, futurista e autor da Terceira
Onda, afirma que a mudança é o processo no qual
o futuro invade nossas vidas. E agora pergunto: o quanto estamos
realmente preparados para deixar o futuro entrar?
Se olharmos para trás, certamente temos
uma centena de exemplos de empresas que eram líderes de
mercado e que hoje não existem mais por terem confiado
demasiadamente na liderança soberana e absoluta, e por
terem sido resistentes às mudanças: Bamerindus,
Mappin, Mesbla, Banco Nacional, Polaroid, TransBrasil e Prosdócimo
são apenas alguns exemplos.
É fato que os empresários precisam
incluir o item inovação urgentemente em seu planejamento.
Considerando que mais de 1/3 das grandes inovações
vêm dos clientes, nem precisa dizer o quanto o cliente pode
e deve estar envolvido em todo o processo de mudanças das
organizações. É preciso olhar com carinho
para todos os setores da empresa e da economia: eles estão
constantemente mudando, e precisamos estar aptos e sensíveis
para a percepção, análise e adaptação
de cada uma delas para o nosso cotidiano e para o nosso planejamento.
E apesar de tudo isso não ser nada filosófico, insisto
em destacar a verdade da essência de Heráclito ao
dizer que não há nada permanente, exceto a mudança.
O maior problema que enfrentamos com as mudanças
é o medo do desconhecido, e, muitas vezes, é esse
medo que nos empurra para trás. Se pararmos para pensar,
vamos lembrar de empresas como a Olivetti, que durante muitos
anos foi líder de mercado no segmento das máquinas
de escrever. Se a empresa tivesse se adaptado em tempo às
mudanças, será que hoje as máquinas de escrever
não teriam uma versão “cibernética”
da marca? Ou ainda, será que a Kodak não foi muito
resistente à mudança e confiou mais do que deveria
no produto “filme”? Com a entrada das câmeras
digitais, qual o futuro do produto carro-chefe da marca, no mercado
doméstico? Na era da convergência das mídias,
como será o telefone do futuro? E os jornais? E os livros?
É preciso avaliar onde estamos hoje, quem
queremos ser amanhã e o que vamos fazer para chegar lá.
É a estratégia quem vai dizer se o risco é
realmente o melhor caminho. Talvez o maior problema de alguns
gestores seja a falta de estratégia em suas ações,
que os levam, muitas vezes, a correr o risco por falta de opção.
O ideal é encarar as mudanças como um ativo natural
de crescimento. O mundo muda o tempo todo em uma velocidade assustadora
e quem não acompanhar, ficará para trás.
Aliás, manter a zona de conforto ativa já é
ficar para trás. É preciso abrir a mente e estar
receptivo às mudanças que considere fundamentadas
para a natureza do seu negócio, e para que isso aconteça
não é necessário apenas boa vontade, é
preciso muito estudo também, para que haja uma adaptação
alinhada entre pessoas físicas e jurídicas em todos
os processos de mudança. Só a partir do momento
em que a mudança for bem aceita por todos em uma corporação
é o que os resultados poderão ser mensurados.
Eu não diria que em toda mudança
há risco envolvido. O que acontece é que quanto
mais a empresa demora para acompanhar o dia-a-dia das mudanças
naturais, maior a chance da mudança repentina provocar
algum tipo de desequilíbrio de gestão e afetar diretamente
as pessoas envolvidas e os resultados projetados. Nesse caso,
o risco é diretamente proporcional ao tempo que você
ficar de olhos vendados, negando que a mudança é
necessária e que você poderá transformá-la
no seu maior ativo. Mesmo assim, eu diria que não conheço
sucesso sem risco.
Se você quer que as coisas sejam diferentes,
talvez a resposta seja se tornar diferente você mesmo. Os
empresários precisam levar em conta e priorizar a questão
das pessoas à frente dos processos. Envolver os recursos
humanos pode ser um primeiro passo. Não adianta impor novos
processos para as pessoas sem antes envolvê-las com a importância
e comprometimento necessários para que as mudanças
aconteçam de forma positiva. São as pessoas que
fazem os processos acontecerem. E se elas não estiverem
bem, tudo ficará mal.