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O paradoxo
do poder
Por Alessandra Assad
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Ao reduzir os custos das comunicações, a tecnologia da informação
não só torna a descentralização do processo decisório
mais desejável, como também torna mais visíveis os valores
reais das empresas. A afirmação veio de Thomas Malone, professor
de Management da Sloan School of Management, do MIT, e diretor-fundador do Centro
de Inteligência Coletiva do MIT, que abriu o Special Management Program,
organizado pela HSM, falando sobre organizações inteligentes e
o desafio da gestão que cria resultados extraordinários através
das pessoas.
O professor explicou que ao reduzir drasticamente os custos,
a tecnologia da informação torna possíveis
também novas maneiras de organizar as empresas. Em muitos
casos, isso levará a maior liberdade das pessoas nas empresas,
estilos gerenciais mais descentralizados e baseados na inteligência
coletiva dos grandes grupos e maior preocupação
com os valores “não econômicos” das
empresas. Mas, quando descentralizar?
À medida que os custos de comunicação continuam
a cair, formas e combinações criativas das estruturas
descentralizadas de tomada de decisão continuarão
aparecendo. Em muitos casos, as pessoas que imaginarem como capitalizar
sobre as novas oportunidades, seja em grandes ou pequenas empresas,
ganharão uma vantagem significativa sobre aquelas que
não imaginarem. Mas e então: centralizar ou descentralizar?
Se você é como a maioria dos gerentes, certamente
enfrenta este tipo de decisão o tempo todo. Como pode
saber se a descentralização faz sentido para a
sua situação? E se decidir descentralizar, como
saber que tipo de descentralização funcionará melhor?
O professor Malone comparou de maneira genérica as estruturas
das hierarquias centralizadas e dos tipos básicos de descentralização,
levando em consideração os pontos fortes e fracos
de cada um. Quando você precisa economizar em custos de
comunicação, ou quando é importante resolver
conflitos de interesse difíceis, as hierarquias centralizadas
podem ser melhores. Quando precisa maximizar a motivação
e a criatividades do funcionário ou ter acesso a muitas
pessoas ao mesmo tempo, os mercados são especialmente
atraentes. Quando aspectos de todas as quatro dimensões
(custo de customização, individualização
e capacidade de usar muitas pessoas ao mesmo tempo, capacidade
de resolver conflitos e autonomia, motivação e
criatividade) são importantes, as duas estruturas intermediárias,
que são hierarquias flexíveis e democracias, podem
funcionar bem.
Malone adverte porém, que em muitos casos a melhor solução é criar
um sistema customizado que combine elementos de mais de uma estrutura
básica. “Você pode, por exemplo, usar estruturas
diferentes para diferentes tipos de decisão”. É o
que acontece muito em mercados internos: as decisões operacionais
básicas são tomadas através de um mercado
descentralizado, mas os gerentes hierárquicos escolhem
os participantes, estabelecem as regras básicas e intervêm
quando o mercado não faria o que é melhor para
a organização como um todo.
“Atribuir decisões diferentes a estruturas diferentes
não é fácil”, afirmou Malone. Requer
um entendimento detalhado de sua situação específica
e de suas metas. Para cada tipo principal de decisão que
sua empresa toma, você pode fazer três perguntas:
1 – Os benefícios potenciais de descentralizar
são importantes?
Os benefícios considerados por Malone são: incentivo à motivação
e criatividade; permitir que muitas pessoas pensem simultaneamente sobre o
mesmo problema; e acomodar a flexibilidade e a individualização.
A importância desses benefícios varia muito, mas eles são,
com freqüência, muito importantes em certas indústrias e
funções de negócios. Esta pergunta diz respeito às
suas escolhas estratégicas.
2 – É possível compensar os custos potenciais
da descentralização?
Esta pergunta leva a outras como: É possível tomar
decisões de forma eficiente quando ninguém está no
controle? Como é possível garantir a qualidade
ou proteger a empresa de perdas se ninguém supervisiona?
Como é possível tirar vantagem das economias de
escala ou da troca de conhecimentos se tudo é tão
fragmentado? Malone afirma que essas preocupações
são tão importantes que muitas vezes levam os gestores
a rejeitar estruturas descentralizadas e a manter hierarquias
rígidas. Ele afirma que há maneiras criativas de
lidar com as desvantagens potenciais, examinando com profundidade
os quatro problemas principais da descentralização.
3 – Os benefícios de descentralizar compensam os
custos?
Depois de resolver os benefícios e custos, é necessário
ponderá-los para decidir se a descentralização
compensará. O professor afirma que as respostas dependem
muito de cada situação, mas algumas regras simples
podem ajudar a pensar na melhor escolha:
- Descentralize quando a motivação e a criatividade
de muitas pessoas forem essenciais.
- Centralize quando for essencial resolver conflitos.
- Centralize quando for crítico ter muitos detalhes, até um
nível bem inferior, unidos por uma única visão.
O professor afirmou que embora a centralização
nunca desapareça completamente, é provável
que vejamos uma descentralização cada vez maior
nas próximas décadas. Juntamente com a mudança,
surgirá uma nova forma de pensar na essência da
administração em si. A tradicional administração
de comando e controle não desaparecerá, mas um
modelo novo e muito diferente se tornará cada vez mais
importante, podendo ser um grande benefício para o negócio
o desenvolvimento da capacidade de tomar decisões em mais
pessoas. Malone fechou deixando um grande conselho para os decisores: “Vocês
ficariam surpresos com o que algumas pessoas podem fazer quando
têm as oportunidades certas para desenvolver as suas habilidades”.
Mas esta é uma decisão um tanto centralizada no
paradoxo do poder de cada líder, ou não?