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Jovens e Política: Perder, Ganhar e Decidir
Por Helder Caldeira


O ano era 1994. Eu tinha 15 anos e cursava o 1º Ano do Ensino Médio no Centro Educacional do PAD/DF, uma escola pública rural encravada na região limítrofe entre o Distrito Federal e o Estado de Goiás. Reunidos, os alunos decidiram que chegara a hora de termos um Grêmio Estudantil para representação na tomada de decisões da instituição. Por aclamação da minha turma, fui indicado para concorrer nas primeiras eleições para a presidência do Grêmio. Éramos três candidatos disputando em um universo de aproximadamente 700 votos. Levei uma surra nas urnas! Enquanto o adversário, Eduardo Schneider, alcançava os píncaros com cerca de 600 votos, eu lamentava minha segunda colocação com míseros 78 eleitores. Perdi feio naquele junho de 1994.

Foi uma derrota merecida. Eu não estava preparado e não compreendia a importância e a dimensão da função de um presidente de Grêmio Estudantil. No entanto, aprendi duas lições políticas primárias: só é capaz de vencer quem está predisposto à vitória; e que um revés pode ser o melhor mecanismo propulsor para encontrar essa predisposição. Dois meses depois, na esteira da História e no lamento de minha derrota, fiz questão de acompanhar aquilo que prometia ser uma disputada eleição presidencial entre o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso e o ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de Lula aparecer em primeiro lugar por um tempo considerável nas pesquisas de opinião, uma série de “predisposições” alavancaram a candidatura de FHC e o conduziram à Presidência da República, no primeiro turno, com quase 55% dos votos.

Nesse processo, uma frase do já presidente Fernando Henrique me marcou profundamente e transformou-se na terceira grande lição: “O senso de oportunidade – a capacidade de andar em compasso com as realidades do momento, evitando tanto a precipitação quanto a protelação – é algo que você deve desenvolver do primeiro ao último dia de sua carreira política”. E que ninguém confunda senso de oportunidade com oportunismo, apesar de haver apenas uma linha muito tênue separando um do outro. Então, oportunamente, passei o ano estudando os conceitos e atribuições de um Grêmio Estudantil, questionei professores, investi maciçamente em uma aproximação com a direção da escola e passei a ter ouvidos às demandas dos diversos alunos com quem aprendi a dialogar. Nas eleições do ano seguinte transformei o pátio na minha Ágora e fiz uma campanha bonita, mesmo enfrentando a excepcional administração do meu concorrente, candidato à reeleição. Após uma disputa renhida por quase 30 dias, venci as eleições com cerca de 320 votos, contra os quase 300 de Eduardo Schneider. Mesmo com pequena margem, conquistei uma bela vitória naquele setembro de 1995.

No ano seguinte, a reeleição foi mais tranquila, já que meu principal adversário havia concluído o Ensino Médio e deixado nossa escola. No entanto, a palavra-chave que me levou aos dois mandatos consecutivos como presidente do Grêmio Estudantil foi, certamente, a DECISÃO. Decidi disputar, decidi fazer da derrota uma vitória e, sobretudo, decidi construir bases sólidas para essa vitória, fincadas no esclarecimento e na compreensão das regras do jogo político. E, por incrível que pareça, o mais difícil foi encontrar alguém que me ensinasse Política através de uma linguagem clara e pertinente aos meus 15 anos de idade.

Hoje, com 30 anos, estou dedicando especial atenção aos jovens interessados em compreender, um pouco que seja, o universo político e os mecanismos e engrenagens que movimentam (ou paralisam) esse ciclope de mil olhos que é a Política. E nessa seara, há um embate mundial sendo travado nesse exato momento: velhas práticas e antigos conceitos duelando com o advento de novas tecnologias e a comunicação de massa em tempo real através da internet. Grande parte da crise institucional que assola os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros está na absoluta falta de preparação de nossos atuais políticos para compreender, mediar e trabalhar com o que há de novo nesse início de século XXI. O poder da juventude é a grande novidade!

Em 2008, os jovens norte-americanos protagonizaram um dos momentos políticos mais significativos em muitas décadas: sentados em frente aos seus computadores e com pleno domínio do meio virtual, executaram o papel principal na histórica vitória de Barack Obama. No Brasil, esse encontro entre os Jovens e a Política tem data marcada: as eleições presidenciais de 2010. Vencerá o pleito aquele candidato que estiver mais próximo da juventude, que conhecer seus ritmos, respeitar suas práticas e aprender como agem e reagem. Mas o grande trunfo será mesmo a otimização da participação dos jovens e da internet em suas campanhas e na construção de suas políticas pública e de governo.

Em 1994, quando perdi minha primeira eleição, e em 1995, quando conquistei minha primeira vitória, a previsibilidade política era a regra. Hoje, o processo é dinâmico, a realidade é móvel, a tecnologia revoluciona tudo em períodos curtos de tempo. As duas lições finais são um reflexo dessa metamorfose: ter uma visão global, compreendendo o conjunto e não apenas uma ou outra parte; e ser flexível, para se adaptar ao novo e ao inesperado. Mas lembre-se: PERDER ou GANHAR será um resultado proporcional à dimensão da sua DECISÃO. Portanto, DECIDIR é a palavra de ordem. E uma decisão jovem representará o mais importante divisor de águas da História da Política Brasileira. Então, mãos à obra!


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